segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Tweets repercutem a morte do cinegrafista da Band



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014


Segui todas as tuas regras, cumpri as metas estabelecidas por ti;
Joguei conforme a mão que me foi dada e não contei com a ajuda de ninguém;
Perdi algumas vezes, mas nunca trapaceei.
Estive sozinho, calado e resignado por todos esses anos ... mas isso não lhe confere o direito de passar por cima de mim. Não se pode alterar o regulamento no meio da partida, não se muda o jogo em função do adversário.

Agora, a mão é minha.
O jogo está ganho e não baixarei a aposta;
Não aceitarei trapaças, não perdoarei enganos; seguirei tuas diretrizes e não aceitarei que me reproves por seguir, à risca, tuas próprias indicações.
As cartas serão postas à mesa e quem jogou sujo estará, para sempre, desclassificado.  

Sem desculpas, sem piedade … exatamente como me ensinaste.

sábado, 12 de outubro de 2013

Engasgo


Enquanto todos parecem estar distraídos com as trivialidades que costumam levar à mesa, ela apenas ensurdece e assisti toda cena fora de si. À distância seu rosto sorri, ela quase acredita que há alguém ali olhando através de seus olhos, mas não há, ela sabe que não há. Enquanto um rosto familiar lhe passa a travessa de macarrão, ela se vê servir, mastigar, deglutir, agradecer, mas sabe que tudo que seu corpo está fazendo é respirar ... apenas isso, inspiração seguida de expiração, uma após a outra. Ela, que observa a serenidade que parece habitar seus traços, mal consegue acreditar que a perversidade da dor que a consome e embrulha seu estômago não seja visível. Ninguém parece notar que ela se ausenta de si, ninguém, assim ela crê, parece de fato estar ali. Quem seriam eles, ela se pergunta. A resposta é um eco. Ela entende que está só, não importa o que faça. Ela descobre que é uma ínfima parte de uma enorme farsa da qual não se pode escapar, ela engasga. Vê seu rosto enrubescer, seus olhos lacrimejam, ela olha para si e, então inspira outra vez apesar da dificuldade, não compreende o porquê do esforço. Ela já não pode se ver. Alguém lhe deseja saúde, ela sorri e pede para lhe alcançar o sal. Ela sabe que está mais sozinha do que nunca.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Nostalgia: discurso para o casamento da década (Laris&Renard)!

Queridos convidados e amados noivos,

Antes de torturarmos vocês com este discurso desalinhado que não conta com a autoria graciosa de um Vinícius de Moraes ou com a necessária profundidade de uma Clarice Lispector, gostaríamos de, diante de todos, nos declaramos inocentes! Sim, isso mesmo. Usualmente costumam nos chamar de testemunhas, mas garantimos, com leveza que apenas a inocência permite, que não temos nada a ver com essa “contravenção pós-moderna” protagonizada por esse rebelde casal que, gentilmente, nos recebe e ainda paga nossa janta.
Tendo nos inocentando de uma possível acusação indevida, ressaltamos o fato de que, antes de sermos madrinhas e padrinhos, éramos apenas os amigos da Larissa ou do Renard. Como tais, senhoras e senhores, participamos de muitas conversas nas quais compartilhamos advertências importantes sobre os efeitos nocivos da vida conjugal. Por anos falamos do casamento como uma epidemia para a qual nossa geração havia sido imunizada ... e toda essa discussão recheada das convicções típicas de nossos tidos espíritos revolucionários, só acabou nos trazendo até aqui ... surpresa? Não, nenhuma. Porque não? tentaremos explicar ...
Certa vez, alguém escreveu que: “existe o certo, o errado e todo o resto”. Essa frase é atemporal, vale para qualquer geração que se encontre representada aqui. Somos educados para distinguir o que é certo do que é errado baseados no conjunto de convenções sociais que regra nosso tempo. Despendemos muitos anos de vida na aprendizagem desses valores e quando, finalmente, nos consideramos maduros e preparados, percebemos que nada disso importa. O que realmente importa é o além disso, éTODO O RESTO.
Alguém mais impaciente deve estar se perguntando que“resto” é esse, afinal? O “resto”, queridos convidados, é tudo aquilo que a palavra não alcança, tudo aquilo que não pode ser ensinado, tudo aquilo que é instintivo e essencialmente humano. “Todo resto” é o desejo, a emoção, a paixão desmedida, o amor, o indefinível, o inexplicável. “Todo resto” é a essência humana que não se altera, é aquilo nos aproxima - negligenciando qualquer diferença de época, educação ou cultura. Ora, esse “resto” é toda expressão sensível da alma que nunca, em qualquer tempo, se dispõe a racionalizar. Para todo resto não existe gerações, não existem valores ... existe apenas o pulso, a vontade de ir além da sobrevivência e experimentar a vida! É certo que celebrar uma união não é a cara da contemporaneidade? Sim, é. Mas e daí? Que importância isso pode assumir diante de “todo aquele resto” que lateja para declararmos nosso amor pelo outro, para simbolizarmos nosso estado de encantamento através flores, vestidos e promessas. A felicidade que os amantes encontram “em todo o resto” assume uma dimensão tal que precisa ser dividida, seja na época que for.
Se é através do certo e do errado que somos algemados e limitados,  o “todo resto” é aquilo que nos liberta de qualquer determinação ... Ninguém ensinou a Larissa a amar o Renard, ninguém determinou que o Renard deveria amar a Larissa, ninguém ordenou que se casassem ... isso é obra daquele todo o resto que a vida reserva a quem se arrisca a amar, é o algo humano que nunca poderá ser verbalizado nem evitado, é o eterno insensato que, estranhamente, acaba desvelando o sentido de tudo.
Ora, se é assim, então “todo resto” é o que faz nossa existência valer a pena, é ele que dá cor e luz à nossa obra. Experimentar “todo o resto da vida” é a própria revolução de si.  Quando assistimos hoje as juras desse lindo casal, não vimos a materialização do “certo” ou do “errado”, daquilo que deveria ou não acontecer. O que vimos, senhora e senhores, é o ato corajoso de dois jovens que abriram mão da segurança de si e de seus valores para se lançarem ao outro ... para viverem, juntos, “todo o resto”.
Jamais saberemos o que realmente uniu estas duas pessoas, eles, provavelmente, também nunca conseguirão explicar. Não é possível determinar quando a vida abre espaço para“todo o resto”, mas sabemos que é a partir daí que os sonhos ganham forma e que a vida passa a valer a pena. Por isso, propomos que esse casamento não seja celebrado como um simples contrato firmado, mas sim como uma revolução cujo ideal é apenas a busca por “resto”silencioso que faz o corpo vibrar, os olhos se iluminarem e o coração disparar. Se iniciamos este discurso negligenciando o papel de testemunhas, assumimos neste momento o posto de cúmplices ... nós, padrinhos e madrinhas, declaramos que estaremos com vocês para, nos inevitáveis momentos de dificuldade, lembrá-los que sempre vale a pena esquecer o certo ou o errado quando o que está em jogo é “todo o resto” que lhe faz sentir vivo.
Para não nos tornarmos enfadonhos, pedimos licença aos convidados para encerramos nos dirigindo apenas aos noivos.

Amados amigos,
Não teríamos palavras para expressarmos nossa gratidão pelos anos de amizade, de carinho, de cumplicidade. Não há como descrever a honra de estarmos aqui. Acompanhamos todo desenrolar deste encontro que celebramos hoje, vimos os primeiros olhares apaixonados, escutamos as histórias do primeiro encontro, da primeira briga, da primeira reconciliação ... torcemos junto, sofremos junto e, hoje, nos emocionamos junto ao percebermos que vocês nunca abrirão mão daquilo que acreditam. Poucos são os casais que podem dizer que fizeram a relação valer a pena e, nos enche de orgulho, constatar que vocês fizeram.
Se antes amávamos a Larissa e o Renard, hoje amamos também o casal. Não há como não se contagiar com esse ar de romance, com os sorrisos despropositados e com as declarações inusitadas no meio de uma conversa trivial. Por tudo e por nada, pelos detalhes mais imprecisos que a palavra não percebe, tudo que podemos dizer é que vocês são um casal completamente APAIXONANTE!  E, ao mesmo tempo, pessoas singulares que  nos encantam pela força, pelo caráter, pelos sorrisos e pela autenticidade.
Desejamos que, daqui pra frente, vocês mantenham suas almas vívidas, dizem que isso é tudo que precisamos no decorrer dos anos. Tomando a liberdade para mais alguns “pitacos” à vida conjugal: como amigos e guardiões desse amor, pedimos que evitem, o quanto puderem, a ideia de se tornarem “um só”, preservem o espaço do outro para que as surpresas não desapareçam e para que as alegrias se multipliquem; não se preocupem demais em como dizem que deve ser um marido ou uma esposa, sejam apenas a Uli e o XXX porque já está provado que isso dá mais do que certo; não caiam no conto do “até que a morte nos separe”, continuem agindo como um casal de namorados apaixonados porque só isso garantirá que vocês queiram se casar mil vezes um com o outro. Por fim, jamais deixem escapar esse espírito contraventor de quem faz tudo que é preciso para ser feliz no hoje, no agora, e de acordo com as próprias regras! Mantenham-se firmes na autoria da própria história e, temos certeza, que assim garantirão o mais belo dos finais felizes:  o “... eles foram felizes para sempre!”.

Sem mais demora, pedimos agora que todos os convidados se unam em um brinde para celebrarmos nosso casal preferido e  “todo o resto” que a vida ainda lhes reserva!
  

sábado, 10 de agosto de 2013

Dia dos pais - do modelo que for

Não suporto estas propagandas de “dia dos pais” que tentam vincular a imagem paterna à imagem materna. Já estamos em 2013 e ainda tem gente que insiste em perpetuar o discurso de que cuidar da criança é obrigação da “mamãe”, se o “papai” quiser ajudar isso será considerado com pontos extras e ele poderá ocupar o topo da escala de classificação paterna, ou seja, ser considerado quase uma mãe. Fala sério, que tipo de publicitário acredita que essa lógica pode, de alguma forma, estar homenageando a figura paterna? Quer dizer que ser um pai incrível, segundo os publicitários de fundo de quintal, é parecer com uma mãe – mas não uma mãe qualquer, e sim uma mãe estereotipada que, atualmente, só existe em propaganda e retrato de família – será isso mesmo?
 
Se não pode fugir dos rótulos, tudo bem, mas não dá pra engolir uma dita homenagem que sempre coloca, mesmo que nas entrelinhas, a figura do pai abaixo da figura materna. A ideia é que quanto mais parecido um pai for com uma mãe, melhor pai ele será ... não consigo entender. E olha que as propagandas não poupam esforços para tentar “equiparar” a imagem do pai ao “modelo de mãe”: tem propaganda com pai com criança no colo no meio da noite, tem pai na cozinha, pai na escola, pai de avental preparando café da manhã ... tudo em tons pastéis, com a mãe ao fundo observando sorridente ...
Apresentar um pai cujo maior potencial na vida de um filho é ser uma versão barbuda da mãe é, no mínimo, dizer que o papel dele é, inevitavelmente, de coadjuvante. Mas ... se assim querem os publicitários que sejam assim seus pais, só digo que esses aí não me convencem e, para ser sincera, não chegam nem aos pés do meu pai!

Meu pai nunca se pareceu com a tal figura de mãe-modelo (na verdade, nem minha mãe-mãe). Meu pai não passou noites em claro embalando berço, não ficou me segurando para evitar minhas quedas, não me defendeu das consequências de meus próprios atos e não me incentivou a ter auto-piedade ... meu pai passou longe de ser como a tal “mãe-modelo”, mas, certamente, ele conquistou meu respeito e, sem querer, se tornou meu modelo de pai.

Enquanto as mães-modelo ninavam seus filhos, meu pai desligava o som e se concentrava em garantir meu futuro. Essa tarefa o impediu de comparecer em quase todas as festas da escola, mas, ao mesmo tempo, permitiu que eu aprendesse a admirar o trabalho duro e a dedicação perfeccionista de quem quer fazer sempre melhor. Meu pai não pôde me ler muitas histórias, mas ele me mostrou os livros e me ensinou como escrevê-los.

Se as mães-modelo não mediram esforços para proteger suas crias do mundo, meu pai optou por uma caminho mais duro: ele apresentou o mundo pra mim. Sem restrições ou maquiagem, meu pai me mostrou todos os mundos, os submundos ... e todas as possíveis formas de se olhar para eles. Meu pai não me apontou o caminho, ele me deitou no chão e me mostrou que eu podia criar novas rotas, traçar novos ângulos e me arriscar um pouco mais. Meu pai me mostrou que andar pra trás me faz cair, manter os olhos vendados também ... e que, talvez, por mais alto que eu grite pode ser que ninguém responda meu chamado. Meu pai, hoje sei, teve medo de partir antes que eu pudesse lamber minhas próprias feridas.

Não vou mentir  aqui, a verdade é que nunca vi meu pai entre as mães-modelo que transitavam na minha escola esmolando notas ou pedindo explicações acerca do desempenho dos filhos, meu pai não foi até lá. Todavia, meu pai me mostrou que eu deveria ser a maior responsável pelo meu futuro porque eu seria a única pessoa que, segundo ele, jamais iria me faltar. Quando explicações precisaram ser dadas, elas foram exigidas de mim, assim mesmo, na cara e de supetão ... foi assim que meu pai me ensinou a chegar mais rápido à verdade, desviando das desculpas ... Sem saber o que aprendia, me tornei capaz de analisar, julgar e criticar meus próprios atos; foi com meu pai que aprendi a argumentar e a lutar pela justiça.

Meu pai foi o durão mais doce do mundo, pois negou a si próprio qualquer coisa que pudesse me “estragar”. Talvez fosse mais fácil me deixar totalmente à vontade, mas ele sabia que mais tarde o mundo iria  exigir que eu fosse mais humilde e menos voluntariosa – por isso ele teve que se negar o direito de fechar os olhos e se abster. Meu pai sabia que muitas atitudes consideradas engraçadinhas com pouca idade, tornam-se traços que não serão perdoados mais tarde.

Meu pai abnegou o direito de me criar para ele e se dispôs a formar um ser humano para o mundo. Mas ele não me permitiu fincar meus dedos no centro do mundo, ele me empurrou para o meio da multidão, no tumulto, me tornando uma pessoa singular, mais uma sim, mas nunca uma qualquer ... meu pai não se permitiu ficar comigo abrindo caminho, facilitando o meu e o seu trabalho. Ele me entregou ao mundo com uma bússola, uma mochila e com um guia constituído dos exemplos que ele, tenho certeza, se esforçou muito para prover. Teve que confiar no trabalho árduo que teve durante todos esses anos ...

Meu pai abriu mão de ser a “mãe-modelo” de propaganda - que se agarra aos filhos mantendo-os tão perto que os torna imóveis - para me ver caminhar para longe com os joelhos esfolados ... Sim, meu pai sempre escolheu  o papel  mais difícil. Hoje, entendo que ele fez isso exclusivamente para garantir que eu fosse capaz de partir, de deixá-lo ... meu pai abriu mão de  muita coisa e tudo que esperou ganhar em troca foi a certeza de ter formado um ser humano competente o suficiente para construir a própria vida e extrair do mundo toda felicidade e beleza que for capaz de enxergar.  
Se existe amor maior que esse, desconheço ... mas também, aprendi a amar com meus pais e, como deu pra ver, eles, os dois, sempre foram meio fora de modelo.


Pai, te amo muito, sempre! Obrigada por tudo!

domingo, 12 de maio de 2013

Minhas tantas mães


Nasci há vinte e poucos anos e já não posso precisar quantas vezes morri, renasci (...) não posso enumerar quantas vidas vivi. Todavia, é certo que para “cada vida nova” houve também uma nova mãe.


Foi mãe  àquela que me deu à luz, que me viu dar o primeiro passo e cometer os primeiros erros, mas também foram minhas mães as amigas de minha mãe. Talvez eu devesse chamá-las “tias-mães”. Não. Mais adequado seria “super-mães”. O nome é, sem dúvida, o que menos importa, vale lembrar apenas que elas foram o abraço do meu colo, o abrigo do meu recanto e o respiro do meu sossego. Preciso dizer mais??? Mães sim! São minhas mães àquelas que puderam ser o que eu não poderia: um pouco mãe da minha mãe.


 
Mães. Cada uma e todas elas. Surgem e desaparecem sem jamais irem embora. O destino delas é sempre perpetuar a vida. Ficam e se multiplicam, aparecem e dão luz a um novo horizonte, uma nova fase, um novo caminho, um jeito novo de amar. É mãe toda e qualquer pessoas que consegue nos guiar para além de onde estamos, quem nos ensina a ver ou (re)ver o mundo, mãe é tanto quem nos cria como quem nos (re)cria ao longo da vida.

Minhas amigas, é claro, também são minhas mães. O que mais poderiam ser? Que palavra outra poderia definir quem, sem nenhum motivo, dedicou tempo e verbo para me fazer sorrir até perder fôlego, ofereceu seus ouvidos às lamentações do meu primeiro “não”, perdoou as farpas de minhas TPMs e não hesitou em lançar a verdade mais dolorosa quando tentei fugir de meus pecados?

Se não fossem mães, ao certo seriam anjos. Quem sabe sejam ambos. Das mãos dessas muitas mães ganhei chocolate tanto pra clarear um dia cinza qualquer, como também para me curar da primeira ressaca. Recebi a chave de suas casas pra ajudar a armar a festa, mas também para me esconder do mundo quando achei que já não havia pra onde ir. Mães. Elas me buscaram em festas, me fizeram companhia, dormiram ao meu lado, curaram minhas feridas, guardaram meus segredos, relevaram meus defeitos, me ensinaram a pedir desculpas e a compartilhar.


Não há  dúvida de que (re)nasci nos (a)braços de muitas amigas em meus vinte e nem tão poucos anose, sendo assim, é impossível não me sentir um pouco filha de cada uma delas. Sei que cada uma dessas mães que ganhei de presente da vida doou um pedaço de si para que eu me sentisse melhor, crescesse melhor e, pq não, para que eu pudesse me tornar também uma mãe melhor para cada uma delas. 

Parabéns para toda mãe-amiga ou amiga-mãe pelo seu dia!